Como se avalia a Pressão Arterial?
Por Marcela Wolf, DVM
Pressão Arterial Sistêmica é a “força” que o sangue exerce contra a parede das artérias, sendo esta dependente do volume de sangue ejetado pelo coração e da resistência que ele encontra para circular no corpo. A manutenção de valores ideais de pressão arterial é importante para manter a perfusão dos orgãos vitais. Dessa forma, tanto a hipotensão (quando a pressão arterial está abaixo dos valores de normalidade) quanto a hipertensão (aumento sustentado da pressão arterial sistólica) podem comprometer a boa distribuição sanguínea desses orgãos e causar efeitos deletérios ao animal.
A pressão arterial sistêmica pode ser obtida por diversos métodos, desde a forma direta (que requer a canulação de uma artéria), quanto por técnicas indiretas (não invasivas), tais quais os métodos Doppler e oscilométrico. Os resultados são variáveis e deve-se considerar diferenças raciais, métodos de aferição e estado de agitação/estresse do paciente. Segundo o consenso do Colégio Americano de Medicina Interna Veterinária (ACVIM), valores superiores a 150 mmHg para pressão arterial sistólica e 95 mmHg de pressão arterial diastólica já correspondem ao risco de lesão em orgãos alvos, sendo portanto desejável que os respectivos valores sejam mantidos abaixo desse patamar.
As manifestações clínicas de hipertensão nos animais de companhia incluem lesões nas estruturas corporais sensíveis aos elevados valores de pressão, os chamados “orgãos alvo”, que incluem cérebro, rins, olhos e coração. Incoordenação motora, andar em círculos, cegueira súbita, hifema (sangramento no olho), hipertrofia ventricular esquerda concêntrica (avaliada pelo exame ultrassonográfico do coração) e proteinúria (avaliada pelo exame de urina) podem ser indicativos de hipertensão arterial.
No Laboratório de Cardiologia Comparada do Hospital Veterinário da UFPR é possível realizar a aferição da pressão arterial sistêmica pelos métodos Doppler e oscilometria, a fim de detectar alterações, permitindo que seja instituído o tratamento adequado para cada caso. Publicada em 11/07/2016